ENTREVISTA
22/10/2026 - PÁGINAS AZUIS
Entre dois lugares
Como uma cearense que vive na Alemanha continua construindo possibilidades para o futuro em Fortaleza
Sair do lugar onde construímos nossa história não significa romper os vínculos com ele. Para uma cearense que vive há alguns anos na Alemanha, Fortaleza continua sendo parte dos seus planos — inclusive por meio do patrimônio que mantém na cidade.
Ao longo do tempo, seus imóveis assumiram funções diferentes. Um foi sua casa; outro nasceu como investimento, inicialmente voltado à locação tradicional. Mais recentemente, esse segundo apartamento passou a operar no modelo de short stay, abrindo novas possibilidades de uso e gestão, mesmo à distância.
Nesta conversa com a SOLAR, ela fala sobre morar fora, manter raízes, repensar estratégias imobiliárias e descobrir que um imóvel pode acompanhar as mudanças da vida sem perder seu valor como patrimônio.
Por solicitação da entrevistada, sua identidade foi preservada.
Você vive na Alemanha, mas Fortaleza continua presente na sua vida. O que mudou na sua relação com o Ceará depois que passou a morar tão longe?
Morar fora me fez perceber ainda mais o valor das minhas raízes. Quando estamos no nosso lugar de origem, muitas coisas fazem parte da rotina e acabam passando despercebidas. A distância muda um pouco essa perspectiva.
Hoje, vejo Fortaleza não apenas como a cidade onde construí parte da minha história, mas também como um lugar com o qual continuo tendo uma conexão muito forte. Mesmo vivendo na Alemanha, o Ceará permanece presente na minha vida e nos meus planos.
Mesmo vivendo fora, você decidiu manter seu patrimônio no Ceará. O que motivou essa escolha?
Sempre enxerguei o imóvel como uma forma de construir patrimônio a longo prazo. Além disso, Fortaleza continua sendo um lugar importante para mim.
Morar fora não significa deixar de ter vínculos com a cidade onde construí parte da minha história. Manter meus investimentos no Ceará também significa preservar possibilidades para o futuro, sem precisar definir agora como tudo será daqui a alguns anos.
Um dos seus apartamentos foi sua casa durante muito tempo. O outro foi comprado com foco em investimento. O que essa experiência ensinou sobre as diferentes funções que um imóvel pode assumir?
Um imóvel pode começar como moradia, depois se transformar em investimento e, em outro momento, voltar a atender às necessidades da própria família. Acho interessante justamente essa possibilidade de adaptação.
A vida não é estática, e os nossos planos também não. Quando pensamos no patrimônio com uma perspectiva de longo prazo, podemos considerar diferentes cenários, sem precisar definir hoje exatamente como ele será utilizado daqui a dez ou vinte anos.
Seu apartamento de um quarto foi inicialmente destinado à locação tradicional. Como surgiu a decisão de experimentar o short stay?
O short stay surgiu como uma possibilidade de aproveitar o imóvel de outra maneira. Eu já tinha experiência com o modelo tradicional de locação, mas achei interessante avaliar uma alternativa que pudesse atender melhor às necessidades de quem vem a Fortaleza por períodos mais curtos.
Resolvi experimentar e conhecer essa dinâmica na prática. Acredito que é importante estar aberta a novas possibilidades e entender como o mercado evolui.
A experiência tem sido positiva. O que fez você perceber que o novo modelo estava funcionando?
A minha satisfação vem do conjunto da experiência. É importante que o imóvel tenha procura e que o investimento faça sentido, mas também considero a praticidade e a possibilidade de contar com uma operação organizada.
Para mim, não se trata apenas de escolher um modelo de locação, mas de encontrar uma maneira de administrar o patrimônio que funcione bem para a minha realidade atual, mesmo morando em outro país.
Como funciona, na prática, administrar um imóvel em Fortaleza enquanto você vive na Alemanha?
Consegui contar com uma empresa que administra meu apartamento, e estou muito satisfeita com essa parceria. Isso trouxe muita praticidade para o meu dia a dia, porque consigo acompanhar o investimento mesmo estando na Alemanha, sem precisar estar presente em Fortaleza para resolver as questões da operação.
Ter uma empresa responsável pela administração facilita bastante esse processo e me dá mais tranquilidade. Para mim, foi fundamental encontrar uma estrutura que funcionasse bem e que me permitisse conciliar a vida fora do Brasil com a manutenção dos meus investimentos no Ceará.
Aprendi que administrar um imóvel à distância exige organização e, principalmente, confiança em quem está conduzindo a operação. A tecnologia também ajuda muito, permitindo acompanhar informações e manter contato mesmo estando em outro país.
Depois de experimentar o long stay e o short stay, o que mudou na sua maneira de enxergar um imóvel como investimento?
Passei a enxergar o imóvel de uma forma mais dinâmica. Antes, é natural pensar principalmente na compra, na localização e na renda que ele poderá gerar. Hoje, considero também as diferentes maneiras de utilizá-lo ao longo do tempo.
O imóvel continua sendo o mesmo, mas sua estratégia pode mudar de acordo com o mercado e com os objetivos de quem investe. Essa flexibilidade é algo que passei a valorizar muito mais.
Para quem mora fora do Ceará e pensa em comprar um imóvel em Fortaleza, o que você recomendaria observar?
Eu começaria pela localização e pelo objetivo do investimento. É importante entender quem poderá utilizar o imóvel, qual é a demanda da região e quais custos estarão envolvidos.
Para quem mora fora, também considero fundamental pensar na administração desde o início. Não basta escolher um imóvel bonito ou bem localizado; é preciso avaliar se ele faz sentido dentro da estratégia de investimento e se será possível administrá-lo com tranquilidade à distância.
Você sonha em voltar para o Ceará. Depois de viver fora, sente que precisa escolher entre a vida que construiu na Alemanha e a vida que gostaria de ter em Fortaleza?
Acredito que é possível construir uma vida que tenha um pouco dos dois lugares. Morar fora nos ensina que a vida pode assumir formatos diferentes daqueles que imaginávamos inicialmente.
A Alemanha faz parte da minha história atual, assim como Fortaleza faz parte de quem eu sou. Não vejo necessariamente a necessidade de escolher entre um lugar e outro, mas de entender o que cada um representa em cada fase da vida.
Para mim, o mais importante é poder construir o futuro com liberdade para fazer escolhas, mantendo os vínculos e as possibilidades que os dois lugares oferecem.
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